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Autora: Daniela Buono Calainho
Hucitec 
1ª Edição
2026
Número de páginas: 228

 

Metrópole das mandingas: religiosidades luso-afro-brasileiras e Inquisição Portuguesa no Antigo Regime | Daniela Buono Calainho

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Quando se fala em mandinga, patuá, sincretismo religioso de matriz africana, a primeira lembrança que nos ocorre é a Bahia, São Luís do Maranhão, o Brasil, o Haiti, talvez até mesmo as santerias praticadas em algumas ilhas do Caribe. Quem imaginaria que em plena capital do Reino de Portugal, à época da Inquisição, ao publiarem grande número de mandingueiros, negros e mestiços, em uma época destinta, em que a Santa Madre Igreja e el Rei tinham poderes de prender, açoitar e até queimar na fogueira aos rebeldes de consciência, que ousassem praticar rituais e crenças contrárias aos dogmas e costumes da Religião Católica Apostólica Romana?

Graças à profunda e exitosa pesquisa de Daniela Buono Calainho, docente na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, temos acesso pela primeira vez, de forma sistemática e ampla, aos subterrâneos das crenças populares de inspiração africana que proliferaram no Reino de Portugal e encantaram a tantos de nossos ancestrais entre os séculos XVI e XVIII.

— Luiz Mott,
Professor Titular de Antropologia, Universidade Federal da Bahia

É muito bem-vinda esta Metrópole das mandingas, cujo título, por metáfora, resume a novidade da pesquisa: a demonstração de que os cultos e ritos africanos, misturados ao catolicismo, floresceram não só no Brasil, mas no próprio Portugal. Dentre estes ritos, destacavam-se o uso de amuletos protetores, conhecidos como bolsas de mandinga. Originária do reino de Mali, região islamizada, a bolsa era então um saquinho contendo algum versículo do Alcorão. À medida em que o uso da bolsa se expandiu no espaço atlântico, foi aumentando de tamanho e diversificando seu conteúdo: baixas de pedras d’ara, balas de chumbo, olho de gato, osso de defunto. Tudo para proteger o corpo, enxe outros fins. Não raro continha também uns papelitos com orações a São Marcos. Daniela Calainho examinou, em detalhe, o sincretismo presente na mandinga e noutros ritos. Em sua pesquisa chegou mesmo a encontrar uma bolsa ao vivo, apesa a um processo da Inquisição. Coisa de arrepiar. A Inquisição, como é óbvio, perseguiu muitos mandingueiros. Alguns foram queimados. Mas o melhor do livro é ver de perto a circulação de crenças entre Brasil, Portugal e África. Uma prova de que há séculos os Exus andavam em vários continentes. Salve!

— Ronaldo Vainfas
Professor Titular de História Moderna – UFF

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Sumário

APRESENTAÇÃO, Luiz Mott
PREFÁCIO, Laura de Mello e Souza
INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I
AFRICANOS EM PORTUGAL

  1. Em direção à África
  2. O comércio negreiro português
  3. Nos campos, nas ruas, nas casas: o escravo negro na economia portuguesa

CAPÍTULO II
GANGAZAMBES E JAMBACOUSSES: FEITICEIROS NEGROS NO REINO

  1. Curas: o corpo e o espírito
  2. Proteções: as bolsas de mandinga
  3. Sentimentos: amores, ódios, inimizades e desejos

CAPÍTULO III
A MANDINGA DE DEUS

  1. Esboços de uma África cristã
  2. Negros católicos
  3. Hóstias, búzios, ervas: feitiçarias cristãs

CAPÍTULO IV
NA ROTA DAS MANDINGAS

  1. A África escravista
  2. Mandingas n’África, mandingas lusitanas, mandingas coloniais

CAPÍTULO V
LUSITÂNIA BRUXA

  1. Tempos Modernos, palco de Satã
  2. Portugal: Satã domesticado
  3. Legislação das perseguições: nas malhas do Santo Ofício

CAPÍTULO VI
NEGROS HEREGES, AGENTES DO DIABO

  1. In nomine Dei: negros e demônios
  2. Punições: réus negros, brancas sentenças

CONCLUSÃO

FONTES E BIBLIOGRAFIA

ANEXOS

  1. Tabelas, gráficos e mapas
  2. Iconografia

 

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Sobre a autora

DANIELA BUONO CALAINHO nasceu no Rio de Janeiro em 1963. É doutora em História pela UFF e professora da UERJ/FFP, onde coordena o Núcleo de Estudos Inquisitoriais. Estudiosa da Inquisição portuguesa e das religiosidades populares na Época Moderna, é autora de diversos artigos sobre o tema, organizadora de coletâneas e do livro Agentes da Fé: Familiares e Inquisição portuguesa no Brasil colonial (EDUSC, 2006).

Informação adicional

Peso 0,400 kg
Dimensões 16 × 23 × 2 cm
Título/autor(a)/assunto que está procurando

HUCITEC EDITORA