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Entre rosários e bacamartes: mulheres do Belo Monte – fé e insubmissão no sertão da Bahia | Patrícia Oliveira da Silva

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Título: Entre rosários e bacamartes: mulheres do Belo Monte – fé e insubmissão no sertão da Bahia
Autora: Patrícia Oliveira da Silva
ISBN: 978-85-8404-621-8
Editoras: Hucitec
Edição: 1. Edição
Data de publicação: 2026
Páginas: 210
Tamanho: 14 cm x 21 cm x  1 cm
Peso: 350g
Coleção Diálogos da Diáspora, v. 31

Informação adicional

Peso 0,350 kg
Dimensões 14 × 21 × 1 cm

Patrícia Oliveira, em Entre rosários e bacamartes, revela-nos seu encontro com as mulheres do Arraial do Belo Monte, ao retirá-las do silêncio a que foram submetidas pela historiografia brasileira. Mulheres, que não só criaram como mantiveram o espaço comunitário e religioso do Arraial. A autora ao cruzar a análise de gênero com o de raça implicitamente aponta para um segundo silenciamento historiográfico, a racialização implementada pela República.

Ao questionar o paradigma epistemológico modernizante e funcional que encobriu e encobre os “outros” e nega identidades culturais preexistentes e existentes, convida seus futuros leitores e leitoras a terem presentes outras lógicas, que sejam capazes de assumir pensares, fazeres e saberes subalternos, periféricos colados à vida. A percepção da subjetividade das mulheres do Arraial, por parte da autora, trouxe consigo a constatação da ausência de lugar das mulheres nos trabalhos e discursos hegemônicos sobre Belo Monte de Antonio Conselheiro. Daí, a necessidade de superar uma leitura linear da história de Belo Monte, leitura pautada pelo predomínio da mentalidade colonialista e eurocêntrica. As narrativas de perfil colonial estabelecem binarismo, cujo resultado é a invisibilização historiográfica, no caso das mulheres do Arraial. A autora elege algumas questões que gradualmente responde ao longo do livro, como: onde estão as mulheres na história de Belo Monte? Quais são suas histórias, seus feitos, seus nomes?

Como Antonio Conselheiro se relaciona com elas e ainda como a religiosidade se configura a partir do contexto do Arraial? As mulheres do Belo Monte – benzedeiras, parteiras, rezadeiras entre outras transcendem o espaço da casa, estão profundamente inseridas na vida da comunidade em todas as suas dimensões. Ler Entre rosários e bacamartes é surpreender-se com o resgate da figura de Antonio Conselheiro e das mulheres conselheiristas com suas agencias e resistências. Leitura atual e necessária para quem deseja conhecer um pouco mais da história do Brasil Real.

— Enio José da Costa Brito,
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

*-*-*-*-*-*

O Movimento de Canudos como um todo, o Movimento Conselheirista, o Belo Monte foi e continua sendo motivo de inúmeras pesquisas e de disputas de narrativas históricas. Reconhecendo a importância desses estudos realizados sobre um dos principais marcos da historicidade de um Brasil múltiplo, diverso e plural, ouso questionar as poucas narrativas que informam sobre a atuação das mulheres neste conflito de protagonismo cotidiano e histórico. Prevalecem discursos que camuflam a presença feminina, negras e indígenas na resistência do movimento conselheirista. Ao problematizar esse olhar, os estudos de gênero e raça tem contribuído com elementos e contrapontos fundamentais para o reconhecimento de sujeitos e a garanta de suas memórias. Assim as perspectivas de gênero e raça dão visibilidade a outras categorias e significados expressos nos discursos de diferentes atores sociais. Os resultados aqui deslocam os sentidos e significados do Movimento de Canudos para os/as diversos/as atores/atrizes sociais — muitas vezes restritos a uma memória oral — na compreensão da história de Canudos de lutas e resistências femininas, negras e indígenas, escondidas pelo racismo e pela misoginia das narrativas colonial.

*-*-*-*

Os diálogos que emergem das lutas comuns entre os povos da diáspora africana e os povos indígenas constituem uma vastidão de experiência e manancial de saberes em que pensamento, luta, cura e festa se interconectem. Amplificar esses diálogos, abrir passagens e promover equidade nas publicações, esses são os compromissos da coleção Diálogos da Diáspora.

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Sumário

 

AGRADECIMENTOS

PREFÁCIO, Maria José Rosado-Nunes

INTRODUÇÃO

O caminho

Construção do objeto de pesquisa

Natureza da pesquisa

Método da pesquisa

Estrutura dos capítulos

As entrevistas

CAPÍTULO 1
BELO MONTE: MOVIMENTO E RESISTÊNCIA NO SERTÃO DA BAHIA

1.1 Do Belo Monte à nova Canudos

1.1.1 As três Canudos

1.2 Belo Monte: um projeto religioso, social e político

1.2.1 Belo Monte: um projeto social

1.2.2 A figura de Antônio Conselheiro

1.2.3 As mulheres e Antônio Conselheiro

1.3 A religião no Belo Monte e as mulheres: entre práticas africanas e indígenas e o catolicismo popular

1.3.1 A presença de elementos africanos e indígenas

1.4 As mulheres e a religião

CAPÍTULO 2
QUEBRANDO O SILÊNCIO: A MEMÓRIA DAS MULHERES NA HISTÓRIA DO BELO MONTE

2.1 Os diversos espaços de recriação feminina no Belo Monte

2.1.1 Recolhendo nomes em memória delas

2.1.2 Narrativas que atravessam os caminhos das mulheres do Belo Monte

2.2 Mulheres indígenas em Canudos: Kiriri e Kaimbé

2.3 Não rendidas: as mulheres e o pós-guerra

2.4 Maria Guerra

2.5 As mulheres e a Romaria de Canudos

2.5.1 A participação na Romaria de Canudos 2019

2.5.2 As mulheres e a Romaria

CAPÍTULO 3
BELO MONTE DAS MULHERES: SABERES E PRÁTICAS COTIDIANAS

3.1 Onde estão elas?

3.2 Religião popular e cultura popular dentro dos estudos da religião

3.3 Benzedeiras, rezadeiras e parteiras

3.3.1 Benzer, curar e partejar

3.4 Saberes das mulheres no Belo Monte

3.4.1 Entre benzedeiras e benzedores do Belo Monte

CONCLUSÕES PROVISÓRIAS

REFERÊNCIAS

ANEXOS

*-*-*-*-*
Sobre a autora

 

Patrícia Oliveira da Silva é graduada em História (UFT) com mestrado em Ciência da Religião pela PUC/SP. Atualmente é doutoranda no Programa de Pós Graduação em Cultura e Sociedade da UFBA e integrante do LOGIN – Grupo de Pesquisa Cultura, Política, Lógicas Identitárias e Produtivas/UFBA.

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