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Título: Cadê a identidade? Documentos e benefícios sociais entre os Hupd’äh do Alto Rio Negro
Autor: Rafael Moreira Serra da Silva
ISBN: 978-85-8404-508-2
Editoras: Hucitec
Edição: 1. Edição
Data de publicação: 2025
Páginas: 274
Tamanho: 14 cm x 21 cm x  2 cm
Peso: 300g
Coleção Diálogos da Diáspora, v. 28

Cadê a identidade? Documentos e benefícios sociais entre os Hupd’äh do Alto Rio Negro | Rafael Moreira Serra da Silva

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Este livro tematiza o recente acesso dos Hupd’äh da região do Alto Rio Negro (AM) à rede socioassistencial e ao Programa Bolsa Família (PBF). Por um lado, realizo o exame da elaboração e execução dessas políticas públicas a partir das articulações interinstitucionais envolvendo a antiga Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), por outro, investigo a relação dos Hupd’äh com a burocracia na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM). Trata-se de um exercício etnográfico que visa problematizar a disposição anárquica e pouco protocolar dos Hupd’äh, conforme descrito em parte da literatura etnológica, além do entendimento da administração do Estado como uma entidade regrada sobretudo pela impessoalidade, ocupada com a indiferenciação dos cidadãos, apesar de políticas com fundo multicultural.

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Uma etnografia densa, como exige toda boa antropologia, mas com o raro talento de não ser tediosa. “Cadê a identidade? Documentos e benefícios sociais entre os Hupd’äh do Alto Rio Negro” torna absolutamente envolvente a descrição de uma zona de contato labiríntica criada pelo encontro dos povos Hupd’äh e Yuhupdëh e a burocracia estatal responsável pela concessão de benefícios sociais para “erradicar a pobreza”. Atraídos pela possibilidade de receber dinheiro e assim comprar mercadorias que não existem na floresta, os Hupd’äh encarnam um drama típico de Josef K ao se depararem com um arsenal de senhas e papéis enigmáticos: CPF, título de eleitor, certidão de nascimento, dentre outros documentos que são cobrados diariamente pelos órgãos públicos. Descobrem à duras penas que para ter dinheiro é preciso virar cidadão e que tornar-se cidadão tem custos e requer paciência. Este livro é imprescindível para nos lembrar que consecutivamente à luta pela terra, inaugura-se uma luta pelos papéis.

— Cristhian Teófilo da Silva, Antropólogo,
professor titular do Departamento
de Estudos Latino-Americanos
da Universidade de Brasília (ELA – UnB)

 

Sobre o autor

Rafael Moreira Serra da Silva é doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Desde 2015, realiza pesquisas em São Gabriel da Cachoeira (AM), em colaboração com o povo Hupd’äh (família linguística Naduhupy), com ênfase nas relações assimétricas. Também investiga ações afirmativas e coletivos negros. Possui experiência em projetos de salvaguarda cultural, manejo e proteção territorial, além de políticas de proteção social para povos indígenas e comunidades tradicionais.

 

Sumário

AGRADECIMENTOS

PREFÁCIO

PRELÚDIO, A voz da impessoalidade
. Diálogos e questões
. Encontros e desencontros
. Diário de bordo

CAPÍTULO 1, Convenções de pobreza e afluência
. Perambular e fazer
. A economia do otimismo
. Sobre a “outra gente” e a “sociedade”
. A ética “nonchalance”
. Mestiçagem de conceitos ou a ética do humanismo?

CAPÍTULO 2, O estado multicultural e o indígena multifuncional
. Imprimindo a diversidade no Estado
. Concentração e pulverização da agenda indígena
. Jurisprudências difusas
. O fator amazônico
. Métodos e práticas de governar

CAPÍTULO 3, Fazendo cidadãos
. Mutirões, políticas e reuniões
. Beiradão
. A potência das rabetas
. Perambular na cidade
. A pedagogia da obediência

CAPÍTULO 4, Olhares sobre os métodos e práticas de governar
. Cartas ao poder público
. A audiência
. “Pib k´èt”: a folha de força
. Estado e intenção

REFERÊNCIAS

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HUCITEC EDITORA