Número de páginas: 356
Coleção Convivialidade em Disputa
Além do antropocentrismo: Imaginando as relações entre as espécies | Tomaz Amorim, Susanne Klengel e Maya Manzi (orgs.)
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Desde que a modernidade ocidental separou natureza e cultura, humanos e não humanos foram pensados como polos distintos e hierarquizados, o que relegou à margem outras formas de saber e de existência. Os ensaios reunidos neste livro partem dessa constatação para interrogar os limites do antropocentrismo e imaginar convivialidades que atravessem a fronteira entre espécies. Em diálogo com conceitos como mais-que-humano, pluriverso e violência epistêmica, o volume evidencia como ontologias indígenas, tradições literárias e perspectivas ecofeministas e decoloniais oferecem caminhos para repensar a relação entre os viventes. Reunindo contribuições da antropologia, da geografia, da literatura e das artes, os textos exploram desde a catividade animal na ficção e a poesia mapuche até os encontros cotidianos entre pessoas, cães e pássaros nos centros urbanos, passando pelo extrativismo na estética modernista e pelas cosmopercepções do Bem Viver. Ao recusar a centralidade do humano, as contribuições mostram que outras agências — animal, vegetal, espiritual, territorial — sempre estiveram implicadas na produção da vida em comum, e que reconhecê-las é uma forma de justiça.
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Como é a convivência em sociedades profundamente desiguais? Essa pergunta orienta a pesquisa interdisciplinar e colaborativa desenvolvida no Mecila. A partir da ideia de que convivialidade e desigualdade se constituem mutuamente, o Mecila propõe uma reflexão crítica sobre os desafios de compartilhar espaços, direitos e futuros comuns. Em um contexto marcado por assimetrias históricas e enormes problemas contemporâneos, as pesquisas do centro mostram que viver junto exige mais do que diálogo e cooperação: implica disputas acirradas em torno de novos direitos e velhos privilégios. Envolve também a negociação de diferenças e a articulação de múltiplos modos de vida, saberes e epistemes. Organizados por eixos temáticos, os livros da coleção Convivialidade em Disputa articulam reflexões teóricas e estudos empíricos indispensáveis para quem quer compreender os impasses, os conflitos e as novas perspectivas que marcam o debate sobre convivialidade hoje.
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O Maria Sibylla Merian Centre Conviviality-Inequality in Latin America é um centro de pesquisa financiado pelo Ministério Federal Alemão de Pesquisa, Tecnologia e Espaço (BMFTR) e coordenado por um consórcio internacional, envolvendo três instituições alemãs – Freie Universität Berlin (coordenação), Universität zu Köln, Ibero-Amerikanisches Institut (Stiftung Preußischer Kulturbesitz) – e quatro instituições latino- americanas – Universidade de São Paulo, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, El Colegio de México e Instituto de Investigaciones en Humanidades y Ciencias Sociales (Conicet/ Universidad Nacional de La Plata). O objetivo do Meclia é desenvolver pesquisas de ponta por meio da cooperação interdisciplinar horizontal entre pesquisadoras/es da Alemanha, América Latina, Caribe e outras regiões do mundo.
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Sumário
Introdução: Para além do antropocentrismo: convivialidades maisque-humanas
Tomaz Amorim
Susanne Klengel
Maya Manzi
Capítulo 1. Convivialidade-desigualdade mais-que-humana na América Latina
Maya Manzi
Capítulo 2. Sobre a ética da Terra – Entrevista com Dipesh Chakrabarty
Sérgio Costa
Mariana Cavalcanti
José Maurício Domingues
Wolfgang Knöbl
Capítulo 3. Extrativismo e Modernismo: O caso de Pau-Brasil, de Oswald de Andrade
Tomaz Amorim Izabel
Capítulo 4. Políticas contemporâneas de convivialidade: aportes dos povos originários da América Latina
Claudia Briones
Capítulo 5. Poética da convivialidade na poesia mapuche contemporânea
Claudia Hammerschmidt
Capítulo 6. A representação dos animais na ficção: “O búfalo”, de Clarice Lispector, e outros contos que abordam a catividade animal
Ana Carolina Torquato
Capítulo 7. Elogio dos pardais londrinos por volta de 1900: sobre a nature writing de W.H. Hudson
Susanne Klengel
Capítulo 8. Cenas de contato interespecífico: humanos e cães de rua nas margens da cidade
Jörg Dünne
Capítulo 9. Acolhendo línguas. Acerca de uma poética da hospitalidade
Melanie Strasser
Sobre as autoras e os autores
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Sobre os organizadores
Tomaz Amorim Izabel
É pesquisador de literatura brasileira moderna e contemporânea, frequentemente em diálogo comparativo com a literatura alemã e a Teoria Crítica. Atualmente, é investigador principal da Unidade de Investigação da DFG “Infraestrutura: Estética e Abastecimento” na Universidade do Ruhr de Bochum (Alemanha) e pesquisador associado no Mecila, onde anteriormente atuou como gerente acadêmico. Além disso, é pesquisador associado e membro do Conselho Executivo do Centro Brasileiro de Análise e Planeamento (Cebrap).
Susanne Klengel
Integra o Instituto de Estudos Latino-Americanos da Freie Universität Berlin e é investigadora principal do Mecila. As suas áreas académicas e de pesquisa abrangem a Cátedra de Literaturas e Culturas da América Latina; a história intelectual, as relações culturais e literárias Sul-Sul, as vanguardas históricas e a teoria literária. Entre as suas publicações recentes destacam-se Open Scriptures. Notation in Contemporary Artistic Practices in Europe and the Americas (Madrid/Frankfurt: Iberoamericana/ Vervuert, 2022), organizado com Susana González Aktories e em colaboração com Karina Bailey, e A estética vertical de Roberto Bolaño. Um caso para a hermenêutica da suspeita (Novos Estudos Cebrap, 2020).
Maya Manzi
É professora de geografia no Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Tem doutorado em geografia pela Clark University, Worcester (MA). Sua pesquisa dedica-se ao campo da geografia crítica, agrária e urbana, com base em epistemologias feministas e decoloniais e com temas relacionados à ecologia política, conflitos territoriais e ambientais, planejamento insurgente e (geo)políticas do conhecimento. Fez um pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal da Bahia (PPGAU-Ufba), em Salvador, Bahia (2014-2016) e outro pós-doutorado no Mecila (Maria Sibylla Merian Conviviality-Inequality Center in Latin America) em São Paulo (2017-2019). Foi professora e pesquisadora no Programa de Pós-Graduação em Território, Ambiente e Sociedade da Universidade Católica de Salvador (PPGTAS-Ucsal) (2019-2022). É membro da Rede de Pesquisadores em Geografia (Sócio)Ambiental (RP-G(S)A) e coordena o Grupo de Pesquisa “Conflito, Movimentos e Território” (COMTER) na UFRB.
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Sobre MECILA
O Maria Sibylla Merian Centre Conviviality-Inequality in Latin America (MECILA) é um centro de pesquisa financiado pelo Ministério Federal Alemão de Pesquisa, Tecnologia e Espaço (BMFTR) e coordenado por um consórcio internacional, envolvendo três instituições alemãs – Freie Universität Berlin (coordenação), Universität zu Köln, Ibero-Amerikanisches Institut (Stiftung Preußischer Kulturbesitz) – e quatro instituições latino-americanas – Universidade de São Paulo, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, El Colegio de México e Instituto de Investigaciones en Humanidades y Ciencias Sociales (Conicet/ Universidad Nacional de La Plata). O objetivo do Mecila é desenvolver pesquisas de ponta por meio da cooperação interdisciplinar horizontal entre pesquisadoras/es da Alemanha, América Latina, Caribe e outras regiões do mundo.
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