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Organização: Sérgio Costa, Flavia Rios, Mário Augusto Medeiros da Silva (orgs.)
Hucitec & Mecila
1ª Edição
2026
Número de páginas: 332
Coleção Convivialidade em Disputa

 

Reinventar existências: nação, raça e etnicidade na América Latina | Sérgio Costa, Flavia Rios, Mário Augusto Medeiros da Silva (orgs.)

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Desde os primeiros encontros entre colonizadores europeus e povos originários, as relações entre os diferentes grupos que constituíram as nações latino-americanas foram marcadas por tensões, hierarquias e disputas. Os ensaios reunidos neste livro partem dessa longa duração histórica para interrogar, de forma crítica, os vínculos entre nação, raça, cidadania e etnicidade. Ao rearticular essas questões a partir das noções de convivialidade e desigualdade, o volume evidencia múltiplas formas de agência coletiva que atravessam o tecido social e o espaço público.

Em diálogo com diferentes perspectivas intelectuais antirracistas, as contribuições discutem, por exemplo, a produção de saberes dos movimentos negros, a interseccionalidade como categoria analítica, o ativismo por justiça reprodutiva e as ações de movimentos sociais em tempos e espaços distintos. Fica evidente que as mesmas categorizações sociais que garantiram a coexistência em desigualdade por séculos podem ser rearticuladas hoje como instrumentos de resistência contra injustiças e opressões.

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Como é a convivência em sociedades profundamente desiguais? Essa pergunta orienta a pesquisa interdisciplinar e colaborativa desenvolvida no Mecila. A partir da ideia de que convivialidade e desigualdade se constituem mutuamente, o Mecila propõe uma reflexão crítica sobre os desafios de compartilhar espaços, direitos e futuros comuns. Em um contexto marcado por assimetrias históricas e enormes problemas contemporâneos, as pesquisas do centro mostram que viver junto exige mais do que diálogo e cooperação: implica disputas acirradas em torno de novos direitos e velhos privilégios. Envolve também a negociação de diferenças e a articulação de múltiplos modos de vida, saberes e epistemes. Organizados por eixos temáticos, os livros da coleção Convivialidade em Disputa articulam reflexões teóricas e estudos empíricos indispensáveis para quem quer compreender os impasses, os conflitos e as novas perspectivas que marcam o debate sobre convivialidade hoje.

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O Maria Sibylla Merian Centre Conviviality-Inequality in Latin America é um centro de pesquisa financiado pelo Ministério Federal Alemão de Pesquisa, Tecnologia e Espaço (BMFTR) e coordenado por um consórcio internacional, envolvendo três instituições alemãs – Freie Universität Berlin (coordenação), Universität zu Köln, Ibero-Amerikanisches Institut (Stiftung Preußischer Kulturbesitz) – e quatro instituições latino- americanas – Universidade de São Paulo, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, El Colegio de México e Instituto de Investigaciones en Humanidades y Ciencias Sociales (Conicet/ Universidad Nacional de La Plata). O objetivo do Mecila é desenvolver pesquisas de ponta por meio da cooperação interdisciplinar horizontal entre pesquisadoras/es da Alemanha, América Latina, Caribe e outras regiões do mundo.

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Sumário

Introdução
Sérgio Costa
Flavia Rios
Mário Augusto Medeiros da Silva

PARTE 1 – DA ESCRAVIDÃO À MESTIÇAGEM

Capítulo 1: De escravizado a escravizador: a história de Manoel Joaquim Ricardo
João José Reis

Capítulo 2: A saga de Teófila: escravidão e a circulação de crédito no Rio de Janeiro do século XIX
Clemente Penna

Capítulo 3: Mestiçagem e convivialidade no Brasil, Colômbia e México
Peter Wade

Capítulo 4: Mestiçagem e convivialidade no Paraguai
Barbara Potthast

PARTE 2 – ALIANÇAS NEGRAS, FUTUROS INTERSECCIONAIS

Capítulo 5: Quando a convivialidade oculta a desigualdade: Lélia Gonzalez sobre a democracia racial brasileira
Rúrion Melo

Capítulo 6: Aquilombar a democracia: rotas de fuga do fim do mundo
Juliana M. Streva

Capítulo 7: Convivialidades interseccionais: feministas negras e populares debatendo justiça reprodutiva no Brasil
Susanne Schultz

Capítulo 8: Potencialidades e riscos da política interseccional: a Coalizão Negra por Direitos no Brasil
Sérgio Costa
Flavia Rios
Fernando Baldraia

PARTE 3 – RACISMO COTIDIANO E ESTRATÉGIAS ANTIRRACISTAS

Capítulo 9: Antirracismo em tempos de incertezas: o Movimento Negro e os saberes emancipatórios
Nilma Lino Gomes

Capítulo 10: Memória social, convivialidade e antirracismo contemporâneo: Valongo, Pretos Novos, Aflitos e Saracura
Mário Augusto Medeiros da Silva

Capítulo 11: “Apresento o meu amigo! O que ele merece?”: Lábia, estéticas afrodiaspóricas, jogo e convivialidade entre negros de São Paulo
Allan da Rosa

Sobre as autoras e os autores

 

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Sobre os organizadores

Sérgio Costa
Professor titular de sociologia da Freie Universität Berlin (FU Berlin), dirige o Centro Mecila e é o editor da série Global Entangled Inequalities: Exploring Global Asymmetries, pela editora Routledge. Com formação em economia e sociologia no Brasil e na Alemanha, suas áreas de interesse são a teoria social, sociologias pós-coloniais, pesquisas sobre desigualdade, convivialidade e diferença. Entre seus livros mais recentes incluem-se: Desiguais e divididos (São Paulo: Todavia, 2025); Um porto no capitalismo global (com Guilherme Leite Gonçalves. São Paulo: Boitempo, 2020); Entre el Atlántico y el Pacífico negro (com Manuel Góngora-Mera e Rocío Vera Santos. Madri: Editora Iberoamericana, 2019).

 

Flavia Rios
Doutorou-se na Universidade de São Paulo (USP, 2014), na qual obteve os títulos de bacharelado (2005) e de licenciatura em Ciências Sociais (2006) e também de mestre em Sociologia (2009). Durante o estágio doutoral, foi Visiting Student Researcher Collaborator em Princeton University, com bolsa Sanduíche da Fapesp (2013). Integrou o quadro docente da Universidade Federal de Goiás (2016–2017) onde coordenou o Pibid-Ciências Sociais. Atualmente, é professora adjunta da Universidade Federal Fluminense (UFF), coordenadora do curso de licenciatura em ciências sociais da referida instituição, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa Guerreiro Ramos (Negra) e integra o programa de pós-graduação em sociologia (PPGS). Atuou no comitê científico do Latin American Anti-racism in a “Post-Racial” Age (Lapora, 2017–2018), atualmente integra projeto “Vozes do Genocídio da Juventude Negra” (CNPq/2019) e coordena o projeto “Gestão municipal da igualdade racial e políticas inclusivas de educação e trabalho no município de Niterói: estudos e ações para sua implementação” (PDPA/FEC, 2020–2022). Tem experiência na área de Sociologia Política e da Cultura, com ênfase nos estudos sobre ação coletiva, teorias interseccionais, relações raciais e de gênero, ditadura militar e democracia, educação e políticas de ações afirmativas no ensino superior.

 

Mário Augusto Medeiros da Silva 
Professor Livre Docente do Departamento de Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Estuda os seguintes temas: pensamento social brasileiro, literatura e sociedade, intelectuais negros, memória social. Autor dos livros: Os escritores da guerrilha urbana: literatura de testemunho, ambivalência e transição política (1977–1984) (2008); A descoberta do insólito: literatura negra e literatura marginal no Brasil (1960–2020) (2023, 2ª ed). Coorganizador das obras Polifonias marginais (2015) e Rumos do sul: periferia e pensamento social (2018). Em 2019, lançou o livro de contos Gosto de amora (Malê) e foi finalista do Prêmio Jabuti em 2020. Seu segundo volume de contos, Numa esquina do mundo (Kapulana, 2020), foi semifinalista do Prêmio Oceanos de Língua Portuguesa, em 2021.

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