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Pré-Venda | Topologias do tempo: a formação da rede dos correios no Brasil (1796-1829) | Thomáz Fortunato

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Autor: Thomáz Fortunato
Hucitec
1ª Edição
2026
Número de páginas: 526
Coleção Estudos Históricos, v. 110

 

Informação adicional

Peso 0,600 kg
Dimensões 14 × 21 × 3 cm

Pré-venda

Todos os pedidos serão postados a partir de 29/7

Através desta coleção, visa-se a dar maior divulgação às mais recentes pesquisas realizadas entre nós, nos domínios de Clio, bem como, através de cuidadosas traduções, pôr ao alcance de um maior público leitor as mais significativas produções da historiografia mundial. No primeiro caso, já foram publicadas várias teses universitárias, que vinham circulando em edições mimeografadas; no segundo, traduções de autores como Paul Mantoux e Manuel Moreno Fraginals. Entre uns e outros, isto é, entre a historiografia brasileira e a estrangeira, a coleção também procurará divulgar trabalhos de estrangeiros sobre o Brasil, isto é, de “brasilianistas”, bem como estudos brasileiros mais abrangentes, que expressem a nossa visão de mundo. Em outras etapas, projetam-se coletâneas de textos para o ensino superior. A metodologia da história deverá ser devidamente contemplada. Como se vê, o projeto é ambicioso, e se destina não apenas aos aprendizes e mestres do ofício de historiador, mas ao público cultivado em geral, que cada vez mais vai sentindo a necessidade e importância dos estudos históricos. Nem poderia ser de outra forma: conhecer o passado é a única maneira de nos libertarmos dele, isto é, destruir os seus mitos.

*-*-*-*-*-*

Em tempos de instantaneidade das comunicações humanas, controladas por alguns dos mais poderosos grupos empresariais de toda a história do capitalismo, e de reiterados projetos de privatização de empresas públicas estratégicas que funcionam bem sob o comando do Estado, qual é o sentido de se estudar o passado dos correios no Brasil?

Neste livro exemplar, o historiador Thomáz Fortunato demonstra como o tratamento do tema permite iluminar de modo inovador o nascimento do Estado brasileiro. Na virada para o século XIX, em um mundo ainda regido pela lentidão dos meios técnicos pré-industriais, a construção de um sistema coeso de correios na América portuguesa criou novos padrões de comunicação. Desenhado para aprimorar o comando metropolitano de Portugal sobre suas possessões americanas em uma quadra de crise global do colonialismo europeu, tal sistema originou um espaço em rede dentro do qual as distâncias temporais entre os pólos de comunicação foram comprimidas pela imposição de uma nova regularidade de trocas de informação, que seviram, assim, aceleradas.

A ruptura de 1808, com o recentramento do Império dentro da América, produziu um impulso redobrado para a compressão espaço-temporal do sistema de comunicação postal, o que por sua vez se articulou dialeticamente à própria aceleração do tempo histórico revolucionário. Quando se abriu o processo de independência do Brasil, essa rede postal se convertera em vetor de politização do mundo social e, portanto, em uma dos condicionantes do processo que culminaria na fundação do Estado nacional brasileiro.

O mais importante nisso tudo está em como Thomáz Fortunato consegue sua análise. Seu livro apresenta um fino cruzamento entre diferentes campos historiográficos e teóricos, que articula, a cada passo, a materialidade do espaço às suas formas de representação mental, a história conceitual à geografia histórica. De particular relevo é a cartografia inscrita nessas páginas, mobilizada, como deve ser, para a produção de conhecimento histórico do passado.

— Rafael Marquese

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Sumário

AGRADECIMENTOS

PREFÁCIO, João Paulo Pimenta

INTRODUÇÃO

 

Capítulo 1
A URDIDURA COLONIAL DAS NORMAS POSTAIS: EXPERIÊNCIAS, SIGNIFICADOS E PROJETOS (1710-1798)

1.1. Formas de navegar sobre o Atlântico: o regime de frotas e o sistema de paquetes

1.2. Formas de conectar a América: os correios que não costuraram redes

1.3. As críticas: o comércio, o tributo, o governo do Estado e os espaços-tempo

1.4. Imaginando redes e calculando distâncias: os projetos dos governadores americanos

1.4.1. D. Francisco Maurício de Sousa Coutinho, governador do Pará

1.4.2. D. Fernando José de Portugal, governador da Bahia

1.4.3. D. Thomaz José de Melo, governador de Pernambuco

1.4.4. Caetano Pinto de Miranda Montenegro, governador do Mato Grosso


Capítulo 2

COSTURANDO A REDE: A CRIAÇÃO DOS CORREIOS MARÍTIMOS E INTERIORES (1798-1800)

2.1. As normas de 1798

2.1.1. O alvará, as instruções, os caminhos e os espaços-tempo

2.1.2. Os espaços-tempo de conhecimento das normas

2.2. As cartas que inventaram os correios da América


Capítulo 3

A REDE DE CORREIOS DA AMÉRICA PORTUGUESA E SEUS ESPAÇOS-TEMPO (1800-1807)

3.1. Características geográficas da rede postal (I)

3.2. Topologias do tempo das comunicações postais

3.2.1. As distâncias e os tempos de comunicação

3.2.2. As regularidades dos giros postais


Capítulo 4

DOBRANDO O ESPAÇO E ENCURTANDO AS DISTÂNCIAS: A EXPANSÃO DOS CORREIOS DA AMÉRICA PORTUGUESA (1808-1820)

4.1. A transferência da Família Real e a nova geografia dos correios

4.1.1. Secretarias e tribunais, Lisboa e Grã-Bretanha

4.1.2. A nova sede da monarquia e os correios como um mecanismo de coesão territorial

4.2. Características geográficas da rede postal (II)

4.3. A compressão espaço-temporal das comunicações postais

4.3.1. Nova metrópole, novas distâncias

4.3.2. Novas distâncias entre as capitanias da América portuguesa

4.3.3. Novas regularidades

Capítulo 5
A POLITIZAÇÃO DA REDE: DISPUTAS POR SOBERANIA E OS CORREIOS DO BRASIL (1820-1829)

5.1. O Constitucionalismo em Portugal e a independência do Brasil

5.2. Um projeto de integração territorial do Brasil: os correios de Hipólito José da Costa

5.3. Os correios do Brasil: das guerras de independência à monarquia constitucional

5.4. Características geográficas da rede postal (III)

EPÍLOGO

FONTES

BIBLIOGRAFIA

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Sobre o autor

Thomáz Fortunato é bacharel, licenciado, mestre e doutorando em História pela Universidade de São Paulo, tendo sido membro do Programa de Educação Tutorial, aluno visitante da Sorbonne, professor da rede municipal de São Paulo e beneficiário de bolsas CAPES e FAPESP. Atualmente é pesquisador do LabMundi, coordenador do núcleo “História do tempo: teoria e metodologia”, integrante dos grupos “Temporalidade” e “Território e Soberania” (Iberconceptos) e editor dos Cadernos de Pesquisa da revista Almanack. É autor de artigos e capítulos de livro no Brasil e no exterior. Desenvolve investigação sobre a história da telegrafia elétrica no Brasil e na China, entre os séculos XIX e XX, em sua relação com experiências do tempo e do espaço.

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