Soberania estatística: estados nacionais, big techs e a disputa pelas estatísticas oficiais na era dos dados | Oscar Arruda d’Alva
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Neste livro indispensável, Oscar Arruda d’Alva revela como as Big Techs e seus aliados — incluindo facções dentro das Nações Unidas e partidos de extrema-direita — pressionam os institutos nacionais de estatística a dependerem de métodos e tecnologias dessas empresas. Partindo do caso do Brasil durante o governo Bolsonaro, mas indo além, este livro explica como a dependência econômica, tecnológica e política dos Estados em relação às grandes empresas de tecnologia se reforça à medida que são privados de uma ferramenta fundamental de governança: estatísticas
independentes.
— Cecilia Rikap
Autora de Teoría de la Dependencia Digital.
Soberanía y Desarrollo en el Capitalismo del Siglo XXI.
*-*-*-*-*
Vivemos sob o governo silencioso dos dados. Inclinações expressas em cliques e transações alimentam uma imensa maquinaria de captura e valorização de informações, administrada por corporações globais cujo poder rivaliza e ultrapassa o de muitos Estados nacionais. Mas o que acontece quando esse processo avança sobre uma das instituições mais estratégicas da vida pública: a produção de estatísticas oficiais?
Oscar Arruda d’Alva enfrenta o tema com coragem neste livro, oriundo de pesquisa rigorosa e premiada. Dialogando criticamente com os estudos sociais da quantificação e a economia política de dados, o autor investiga a emergência de um novo regime de dataficação das estatísticas, tendo como objeto a implantação do Hub Regional de Big Data para a América Latina no IBGE, uma iniciativa da Divisão Estatística da ONU, com suporte e aproximação das Big Techs. O que se revela é um campo de disputas acirradas entre duas lógicas incompatíveis. De um lado, a contradição ontológica entre conceber a estatística como patrimônio coletivo, sob o imperativo da transparência e da credibilidade, ou conceber o dado como mercadoria ou ativo privado, extraído, cercado e monetizado pela lógica das plataformas. De outro lado, entra em jogo uma tensão epistemológica, que opõe a tradição frequentista e amostral dos estatísticos de Estado à abordagem indutiva e bayesiana dos cientistas de dados. Nessa disputa sobre quem tem o poder de dizer o que é real, Oscar exalta a centralidade das ações do IBGE como esteio contra a privatização do conhecimento estatístico nacional.
Com engenhosidade notável, esse livro vem suprir uma importante lacuna de pesquisa sobre o papel dos números públicos na organização da vida social e no enfrentamento dos grandes dilemas do nosso tempo. É leitura indispensável para todos que se preocupam com o futuro da democracia, da soberania nacional e da cidadania informacional, no Brasil e na América Latina.
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Sumário
Nota da Edição
Prefácio
Introdução
Parte I
Capítulo 1. A Estatística Oficial e o Campo de Práticas Estatísticas
1.1. O Estado Territorial e o regime estatístico de contabilização
1.2. A Razão probabilística e os fundamentos cognitivos da estatística
1.3. O Estado Nação e a transmutação da estatística em bem público
1.4. Governamentalidade liberal e mais-valia: a estatística oficial e o mercado
1.5. População e normalização: a estatística social e o regime de enumeração
1.6. Entre a nação e o internacionalismo: a construção política do campo estatístico
1.7. A estatística desigual e combinada dos Estados Pós-Coloniais
1.8. Crise de governamentalidade liberal e transição de regime estatístico
1.9. Os contramovimentos nacionais e a consolidação do regime de enumeração no Brasil
1.10. O capitalismo administrado e o regime estatístico de precisão
1.11. Entre a soberania e a dependência: a consolidação do regime de precisão no Brasil
Conclusão: A constituição da estatística oficial como um bem público e a estruturação do campo estatístico como um espaço de lutas entre a dinâmica internacional e a soberania nacional
Capítulo 2. A Transição para um Regime de Dataficação
2.1. A crise da governamentalidade keynesiana e a emergência do neoliberalismo
2.2. O regime estatístico de comensuração: financeirização e política de indicadores
2.3. Virada empresarial dos Institutos Nacionais de Estatística e contramovimentos protetivos
2.4. Espaços transnacionais de quantificação e governança por indicadores
2.5. As Tecnologias de Informação e Comunicação e seus efeitos no campo estatístico
2.6. Democratização e resiliência do IBGE às reformas neoliberais
2.7. Dataficação, governamentalidade algorítmica e capitalismo de plataforma
2.8. A dataficação e as novas ‘pressões’ sobre o campo estatístico
2.9. O big data e a ‘modernização’ das estatísticas oficiais
2.10. O obstáculo ontológico: a nova economia política dos dados e o duplo movimento do campo estatístico
2.11. O obstáculo epistemológico: não representatividade do big data, modelagem e estatística bayesiana
2.12. Habitus algorítmico e mudança cultural: a introdução da ciência de dados nos INEs
Conclusão: Obstáculos ontológicos (dados) e epistemológicos (métodos) à transição para o regime de dataficação conduzem a um duplo movimento no campo estatístico
Parte II
Capítulo 3. O Projeto ONU Big Data e a Plataformização das Estatísticas Oficiais
3.1. A abordagem neoliberal na agenda de desenvolvimento global pós-2015
3.2. O discurso da revolução de dados
3.3. Incidência de corporações privadas no campo estatístico transnacional
3.4. A Plataforma Global da ONU
3.5. O elefante na sala: controvérsias de alto nível no campo estatístico transnacional
Conclusão: Plataformização das estatísticas oficiais e disseminação do regime de dataficação alinhado à estratégia econômica e política das Big Tech
Capítulo 4. O IBGE e o Hub Regional de Big Data no Brasil
4.1. Antecedentes: O Brasil e o IBGE no contexto da crise de governamentalidade neoliberal
4.2. O big data e a ‘modernização’ do IBGE: controvérsias no Governo Bolsonaro
4.3. O Hub Regional de Big Data no Brasil
4.4. A interface público-privada do Hub Regional
4.5. Os casos de uso de big data no IBGE e o debate do acesso aos dados
4.6. Percepções sobre a introdução de big data e ciência de dados no IBGE
Conclusão: A disputa pelo Sistema Estatístico Nacional na transição para o regime de dataficação
Conclusão
Referências
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Sobre o autor
Oscar Arruda d’Alva é doutor em sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) com estágio doutoral na Goldsmiths University of London, mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e bacharel em administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV). Desde 2010 é analista em gestão de pesquisas no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sua tese de doutorado em sociologia, “Estatísticas Oficiais e Capitalismo de Plataforma: A Transição para um Regime de Dataficação no Brasil”, recebeu o prêmio de Melhor Tese de Doutorado no Concurso Brasileiro Anpocs de Obras Científicas e Teses Universitárias em Ciências Sociais – Edição 2025 e Menção Honrosa no Prêmio Capes de Teses – 2025, na área de sociologia.
Informação adicional
| Peso | 0,652 kg |
|---|---|
| Dimensões | 16 × 23 × 2 cm |
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