Números em ação: desvendando atores, práticas e infraestruturas de quantificação | Alexandre de Paiva Rio Camargo, Moisés Kopper, Eugênia Motta (orgs.)
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| Peso | 0,713 kg |
|---|---|
| Dimensões | 23 × 16 × 2 cm |
Números em Ação apresentam panorama dos estudos sobre quantificação no Brasil, examinando como os números produzem autoridade, moldam afetos, sustentam políticas e reorganizam a ideia de público. O livro propõe compreender a quantificação como prática social, técnica, ética e imaginativa, mediadora das disputas em torno da verdade, legitimidade e cidadania.
Os capítulos abordam diferentes objetos de estatísticas oficiais ao ativismo de dados, da biomedicina à economia, e exploram uma pergunta central. O que sustenta a confiança nos números? O que acontece quando ela se desloca?
Em contextos de desconfiança institucional, a saturação e saturação informacional, a coletânea e a experimentos e resistências que denunciam e reinventam a confiança nos dados, acompanhando os seus deslocamentos das instituições para infraestruturas dos gabinetes técnicos para territórios, dos instrumentos de cálculo para alianças afetivas.
Com essa diversidade, o livro mostra que seguir os números é também seguir as formas pelas quais o Brasil pensa, sente e disputa o real.
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Indicadores, rankings e painéis de monitoramento atravessam governos, mercados, territórios, populares e ativismos. Esta coletânea, baseada em pesquisas rigorosas, convida o leitor a seguir a vida social dos números, como são produzidos, estabilizados, traduzidos, disputados e postos em articulação entre censos, laboratórios de dados em favelas, sistemas de saúde e arenas de política econômica.
Ao reunir investigações etnográficas, históricas e sociológicas, a obra mostra que contar, classificar e comparar nunca são ações neutras, podem consolidar hierarquias e silenciamentos, mas também sustentar denúncias, reivindicar direitos e criar novos públicos. As ciências sociais sempre escreveram com quanto e com o como. Em diálogo tenso com a quantificação, este livro, porém, marca uma nova etapa e uma intervenção pública.
A etnografia intensiva aqui não apenas complementa dados extensivos, ela os contesta, reabre suas convenções, desloca categorias e faz os números avançarem, ao mesmo tempo em que denuncia seus usos abusivos.
Debatendo criticamente com os estudos da quantificação e com os estudos de dados, a obra reivindica uma perspectiva latino-americana para iluminar questões globais emergentes, como a confiança nos números, soberania de dados, cidadania informacional e ativismo estatístico, destacando o ponto de vista de grupos marginalizados, a proteção de seus direitos e a imaginação de outros futuros possíveis para a vida pública.
— Rosana Pinheiro-Machado, antropóloga, professora de estudos globais, University College Dublin, UCD.
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Sumário
Introdução: a quantificação como bússola para a ação
Alexandre de Paiva Rio Camargo, Moisés Kopper e Eugênia Motta
Capítulo 1. Ecologias da confiança: uma agenda latino-americana para os Estudos Sociais da Quantificação
Alexandre de Paiva Rio Camargo e Moisés Kopper
Unidade I – Números em ação: regimes de produção e estatísticas governamentais
Capítulo 2. Rumo à Atlântida: a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e a autonomização da produção legítima de estatísticas públicas no Brasil
Lucas Page Pereira
Capítulo 3. O real e o construído da economia: seguir as transformações das estatísticas públicas e do estado brasileiro pela trajetória do acesso aos microdados
Pedro Grunewald Louro
Capítulo 4. Estatísticas Oficiais e Big Data na América Latina: cercamentos de Dados e Contramovimentos
Oscar Arruda d’Alva e Edemilson Paraná
Unidade II – Números em ação: desigualdades e cidadania
Capítulo 5. A categoria “indígena” nos censos nacionais no Brasil: trajetória metodológica e implicações sociopolíticas
Bruno Nogueira Guimarães, Alessandra Traldi Simoni e Ricardo Ventura Santos
Capítulo 6. Quantificando as operações policiais no Rio de Janeiro: do ativismo de dados à disputa cognitiva no espaço público
Daniel Hirata, Carolina Grillo e Renato Dirk
Capítulo 7. Nomes e números dos conflitos: ativismo e quantificação para os “conflitos no campo” no Brasil
Igor Rolemberg
Unidade III – Números em ação: saúde e genética
Capítulo 8. Contando, contendo, e tratando a Hanseníase: o uso de números na política para uma doença infecciosa
Claudia Fonseca
Capítulo 9. Classificação, contagem e causalidade. O caso Zika, entre ciência e saúde
Jonatan Sacramento
Capítulo 10. Da expertise visual à linguagem dos números: transformações sociotécnicas da credibilidade dos bancos de DNA forenses
Vitor Simonis Richter
Unidade IV – Números em ação: mercados e agência econômica
Capítulo 11. A guerra dos indicadores: a inflação no Brasil
Federico Neiburg
Capítulo 12. Até vinte por cento: artefatos gráficos e porcentagens na política concorrencial
Gustavo Onto
Capítulo 13. Devaneios Estatísticos: o engenho da nova classe média e suas práticas de quantificação
Moisés Kopper e Arlei Damo
Sobre as autoras e os autores
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Sobre os organizadores
Alexandre de Paiva Rio Camargo é pesquisador no Departamento de Pesquisa em História das Ciências e da Saúde na Casa de Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, e professor no Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Candido Mendes, onde coordena o Núcleo de Estudos em Ciência, Tecnologia, Quantificação e Sociedade (NECQSO). Doutor em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), possui diversos trabalhos publicados na área dos estudos sociais da quantificação.
Moisés Kopper é professor-pesquisador no Institute of Development Policy, Universidade da Antuérpia, onde dirige o data lab InfoCitizen (ERC Starting Grant) sobre dataficação popular e cidadania no Sul Global. Doutor em Antropologia Social (UFRGS), é editor associado do Journal of Latin American and Caribbean Anthropology, autor de Architectures of Hope e coeditor de Number Politics after Datafication. Seu trabalho aborda desigualdade, expertise e políticas de dados, com foco no Brasil.
Eugênia Motta é professora do Departamento de Antropologia Cultural e do Programa de Pós-Graduação em Etnografia e Crítica Cultural, ambos do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também leciona no Programa de Pós-Graduação em Sociologia no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Doutora em Antropologia Social pelo Museu Nacional, é coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Cultura e Economia (NuCEC) e do Grupo CASA.
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