Nos arredores da prisão: tensões, relações e movimentos de familiares de pessoas presas | Natália Lago
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Onde começa e onde termina a prisão? A feiúra e dureza de seus muros encerram corpos trancafiados no tempo e no espaço. A imagem mais banal da prisão nos remete justo à separação da vida cotidiana. Ela é o corte, o contraste, o mundo apartado. Mas a prisão também deixa entrar.
Por seus portões, passam comidas, visitas, mensagens, afetos. E ela se estica, puxando para dentro os que vivem fora, mas que tem alguém que lhe é caro lá dentro. A prisão sombreia o caminho da volta para a casa, marca as horas e os ritmos do cotidiano: o tempo de tomar a van, de fazer a comida, de aguentar as esperas, de engolir as humilhações, de lidar com o aperto da saudade.
O belo e denso livro de Natália Lago nos oferece a possibilidade de mergulhar na complexidade da prisão através daquelas que, mesmo não estando confinadas aos muros, têm seu cotidiano profundamente marcado por ela.
Trata-se de uma contribuição singular à compreensão de como os dispositivos prisionais regulam corpos, relações e territórios de modo simultaneamente amplo e capilar no mundo contemporâneo.
Perceber a força dessas regulações a partir do cotidiano e de suas miudezas leva-nos a outras questões, que incluem a importância das relações de gênero na eficácia da prisão como artefato de controle, mas também, em contrapartida, a força das moralidades e dos afetos na constituição de solidariedades políticas.
É na delicadeza de cada encontro com suas interlocutoras e de cada trajeto relatado pela autora que vamos revendo as prisões genéricas que carregamos em nossas análises, permitindo-nos novas perguntas sobre seu sentido – ou sua falta de sentido – no mundo.
– Adriana Vianna
Museu Nacional, UFRJ
*-*-*-*-*-*-*
Sumário
Prefácio
Introdução – Costurando diálogos ao redor da prisão
PARTE I
Dias e noites em Tamara
CAPÍTULO I
Visitar é uma jornada: uma pensão em Tamara e a porta da prisão
CAPÍTULO II
Mulheres de preso e outras mulheres: agenciamentos e diferença em visitas à prisão
PARTE II
Prisões, familiares e movimentos
CAPÍTULO III
Relatos da luta: gênero, prisão e ativismo em uma associação de familiares de presos
CAPÍTULO IV
Íntima e vexatória: disputas narrativas, violação e organizações de defesa de Direitos Humanos
Considerações Finais – Fins e recomeços de uma jornada: reencontrar filas, cadeias, movimentos e saberes
Referências
Anexos
*-*-*-*-*-*
Sobre a autora
Natália Lago
Professora vinculada ao Departamento de Ciências Sociais (DCS) na Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Cientista social, mestra e doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP).
Informação adicional
| Dimensões | 16 × 23 × 2 cm |
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