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Desigualdade duradoura | Charles Tilly (trad. Carlos Alberto Medeiros)

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Título: Desigualdade duradoura
Autor: Charles Tilly
Tradutor: Carlos Alberto Medeiros
ISBN: 978-85-8404-571-6
Editora: Hucitec
Edição: 1. Edição
Data de publicação: 2025
Número de páginas: 314
16 cm x 23 cm
Título original: Durable Inequality
The University of California Press, 1998

Informação adicional

Peso 0,450 kg
Dimensões 16,0 × 23,0 × 1 cm

Charles Tilly e a 1ª edição de Desigualdade Duradora no Brasil 

 

Charles Tilly nasceu em Lombard, Illinois, em 27 de maio de 1929 e estudou na Universidade Harvard, onde obteve o bacharelado magna cum laude, em 1950 e o doutorado em sociologia, em 1958. Também estudou no Balliol College na Universidade Oxford e na Universidade Católica de Angers, na França. Antes de chegar à Universidade de Columbia, em 1996, Tilly foi professor das Universidades de Delaware, Harvard, Toronto, Michigan e na New School for Social Research.

Foi membro da Academia Nacional de Ciências, da Academia Americana de Artes e Ciências, da Sociedade Filosófica Americana, Associação de Pesquisa Sociológica e da Ordre des Palmes Académiques. Diante de seus interesses teóricos e empíricos, Tilly escreveu amplamente sobre metodologia de pesquisa. Seus textos trabalham com epistemologia, a natureza da causalidade, análise de processos, o uso da narrativa como método de explicação histórica, explicações baseadas em mecanismos, análise contextual, etnografia política, métodos quantitativos na análise histórica e sociologia econômica.

Dentre a sua vasta e importante produção, conhecer Desigualdade Duradoura Durable Inequality – (Charles Tilly, 1999) torna-se uma experiência ímpar para quem trabalha na academia e no campo da formulação e gestão de políticas públicas para a promoção da equidade. Por isso, nós não tivemos dúvidas em abraçar a oportunidade e a desafiadora tarefa de assumir a edição desse livro em sua primeira tradução para a língua portuguesa.

Entendemos que ao nos apresentar suas elaborações e interconexões dos conceitos de Modos de Exploração, Acumulação de Oportunidades, Adaptação e Emulação com a sua noção de Desigualdades Categóricas, ele resta por desenvolver um sistema de pensamento que agrega valor epistemológico e metodológico ao rico debate nacional preexistente, ao desnudar as diversas e perversamente sofisticadas maneiras de como o racismo e outros mecanismos que concorrem para a perpetuação das desigualdades duradouras exercem suas interoperacionalidades sobre processos e situações particulares muito concretas.

Nos oferece, assim, um verdadeiro e potente manancial de possibilidades de abordagens e repertórios frente a toda uma complexa cadeia de elementos de análise que podem atuar adaptativamente em camadas ou escalas diferenciadas desde o nível mais aparente de recortes territoriais, culturais, institucionais e organizacionais, até aspectos mais abstratos das desigualdades em geral. Esperamos que gostem da leitura e que ela lhes seja útil e transformadora como tem sido para nós.

Elias de Oliveira Sampaio, mestre em Economia e doutor em Administração Pública
& Paul Healey, economista, antropólogo e Phd em Ciências Sociais

 

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Introdução à edição brasileira de Desigualdade Duradoura, de Charles Tilly

 

Charles Tilly, meu falecido pai, e mais conhecido pelas pesquisas sobre a formação do estado e da guerra, protesto e movimentos sociais, confronto político de modo mais amplo e os processos sociais que sustentam a democracia. Entretanto, por toda a sua vida, ele também se preocupou muito com a desigualdade. O primeiro protesto a que ele me levou, ainda criança – o primeiro de muitos – foi uma manifestação pela igualdade dos negros no início da década de 1960 que incluiu um discurso de Martin Luther King Jr., o mais conhecido líder do Movimento por Direitos Civis nos Estados Unidos.

Em Desigualdade Duradoura ele pôs esse interesse em funcionamento. Tenho uma teoria sobre o motivo que levou Charles Tilly a escrever este livro. Em 1994, depois de concluirmos um amplo ensaio intitulado “Capitalist and Labor Markets” (Tilly & Tilly, 1994), Chuck, como os mais próximos o chamavam, propôs que ampliássemos o ensaio, transformando-o num livro sobre trabalho. Essa colaboração resultou numa obra em coautoria, Work under Capitalism (Tilly e Tilly, 1998).

Ele ficou empolgado pelo fato de eu estar naquela época realizando uma pesquisa e escrevendo sobre a desigualdade racial na contratação – e especialmente sobre as desvantagens dos homens negros no emprego nos Estados Unidos – e esperava que pudéssemos trabalhar juntos analisando e teorizando sobre os processos sociais que produziam a desigualdade. No final das contas, minha pesquisa sobre esse tema caminhou mais lentamente do que eu esperava. Só consegui transformar minha investigação sobre desigualdade racial em livro em 2001 (Moss & Tilly, 2001).

Consequentemente, Work under Capitalism incorporou apenas algumas discussões preliminares sobre esse assunto. Mas, como observou Ernesto Castaneda-Tinoco, aluno de doutorado de Chuck (e hoje professor da American University), numa homenagem após a morte de meu pai em 2008, “Em vez de esperar que o texto atingisse a ‘perfeição’, essa meta inatingível, ou pensar que tinha a última palavra sobre o assunto, Chuck queria publicar logo para ser contestado (ou apenas parcialmente confirmado), e assim tornar suas ideias aperfeiçoáveis. Com efeito, por que esperar que outra pessoa corrigisse seus modelos? Ele frequentemente recuava e aprimorava suas ideias anteriores. Exemplo disso e a história que gostava de contar sobre como seu primeiro livro foi uma refutação de sua própria dissertação.” Quando se tornou claro que Work under Capitalism não iria apresentar uma teoria da desigualdade categórica, ele se pôs a desenvolver sua própria teoria no seu próprio ritmo.

Começou a formular as ideias em 1995, numa série de palestras na Universidade da California em Los Angeles, e depois as transformou no livro Desigualdade Duradoura. Essa obra compartilha muitas características com seus melhores trabalhos anteriores. Ela oferece um modelo parcimonioso que consiste em dois processos centrais, a exploração e a acumulação de oportunidades, e dois adicionais, a emulação (difusão e reprodução de estruturas da desigualdade) e adaptação (a moldagem de outros processos sociais para complementa-la e reforçá-la).

Ele define esses termos cuidadosa e rigorosamente. Ele situa sua analise em relação a outras abordagens teóricas e se envolve em polemicas intelectuais vigorosas – neste livro, especialmente contra explicações que usam metodologias individualistas da desigualdade categórica. Em última análise, porém, ele dedica sua energia principalmente para explicar, elaborar e ilustrar seu próprio modelo, não para criticar os de outros. Para ilustrar e fundamentar sua teoria com dados concretos, ele se baseia numa compilação psicodelicamente ampla de contextos, dimensões e exemplos específicos da desigualdade. E faz tudo isso num estilo descomplicado com uma boa dose de humor.

Seria possível dizer que Desigualdade Duradoura apresenta uma teoria substancial da desigualdade categórica? Isso deve ser avaliado por uma comunidade mais ampla de intelectuais, mas permitam-me oferecer algumas observações – começando por recorrer a essa comunidade. Creio que o livro que escrevi com Philip Moss sobre a desigualdade racial no trabalho, Stories Employers Tell, e muito bom; e meu trabalho mais mencionado, com mil citações no Google Scholar no início de 2025. Em comparação, Desigualdade Duradoura conta com 5.400 citações – 1.600 a partir de 2020. Trata-se de um vigoroso voto de confiança!

Em minha visão, o livro e uma teorização robusta e rigorosa que se anseia no conceito de exploração de Marx e no de fechamento social de Weber, mas mostra mais claramente como esses conceitos podem ser ampliados para oferecer uma explicação convincente e geral de muitas formas de desigualdade categórica, como elas surgem, se espalham e podem terminar. A simplicidade introdução a edição brasileira de desigualdade duradoura | 21 e a generalidade do modelo significam que ele está mais bem equipado para explicar as características comuns de várias formas de desigualdade do que as diferenças entre elas.

E, como Tilly reconhece no ultimo capitulo, ele não tem muito a dizer sobre o modo como a cultura pode ou não moldar os contornos da desigualdade em vez de simplesmente acompanhálos. Em suma, Desigualdade Duradoura constrói um alicerce teórico consistente, mas deixa sem resposta algumas questões importantes, como qualquer obra de caráter teórico deve deixar. Fico muito satisfeito pelo fato de Desigualdade Duradoura estar sendo publicado no Brasil e estendo minha sincera gratidão a Elias de Oliveira Sampaio, que se esforçou durante anos para que esse projeto chegasse a uma conclusão. Como se sabe muito bem, o Brasil tem a infelicidade de ser um dos países mais desiguais do mundo, como se evidencia, por exemplo, pelo coeficiente Gini extremamente elevado (Banco Mundial, 2025).

Essa desigualdade perpassa categorias que incluem classe, raça, gênero, pertencimento indígena, propriedade da terra e outras. Ao mesmo tempo, o Brasil tem produzido movimentos sociais criativos e potentes, assim como iniciativas políticas de combate à desigualdade. Espero que brasileiros em busca de uma sociedade mais igualitária considerem Desigualdade Duradoura, de Charles Tilly, de utilidade em sua luta.

— Chris Tilly, Universidade da Califórnia em Los Angeles Janeiro de 2025

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Sumário

Apresentação

Introdução a edição brasileirade Desigualdade Duradoura, de Charles Tilly

 

1 | Sobre essências e vínculos

  • Raízes da desigualdade categórica
  • Obstáculos a compreensão
  • Elementos da desigualdade
  • Alternativas ao individualismo

 

2 | Das transações as estruturas

  • Construindo blocos
  • Roteirização e conhecimento local
  • Categorias revisitadas
  • Categorias em ação

 

3 | Como funcionam as categorias

  • Pares categóricos e os mecanismos da desigualdade exploração
  • Acumulação de oportunidades
  • Emulação
  • Adaptação
  • Fronteiras da desigualdade
  • Desigualdade no trabalho

 

4| Modos de exploração

  • Exploração na África do sul e outras partes do mundo
  • Gênero e exploração

 

5 | Como acumular oportunidades

  • Redes e acumulação de oportunidades
  • Migração em cadeia

 

6 | Emulação, adaptação e desigualdade

  • Desigualdade na assistência medica
  • Da emulação e adaptação a desigualdade

 

7 | A política da desigualdade

  • A emancipação católica na Grã-Bretanha
  • Movimentos sociais e desigualdade
  • Identidades politicas
  • Desigualdade e processos políticos básicos

 

8 | Desigualdades futuras

  • Desigualdade categórica generalizada
  • Futuros

 

Referências

Índice

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